segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tem fogo?


por @marcoshiller

O doutor Dráuzio Varella que me desculpe, mas nesse texto aqui vou levantar um ponto bastante polêmico. Por que tamanha proibição contra a indústria tabagista? De anos para cá, em virtude de medidas legais, marcas de cigarros praticamente não podem mais se comunicar com o mercado. As únicas coisas que eles podem fazer se comunicar com o seu público é: por meio das embalagens (que são belíssimas na minha opinião), de merchandising (promoção no ponto de venda) e por meio de marketing direto, sim marketing direto. Quer receber mala direta de sua marca de cigarro favorita? O processo é simples: entre no site da Marlboro por exemplo, fale que você quer receber malas diretas deles, depois disso você deve mandar pelo correio um termo com seu RG anexo dizendo que você aceita receber malas diretas. Simples, não?

A questão central que levanto perpassa por uma bela de uma discussão ética da propaganda: por que apenas as coitadas das marcas de cigarro não podem fazer propaganda? A resposta mais lógica é: por que cigarro mata. Pois bem. E o álcool da cerveja não mata e destrói famílias também? É pode comunicar à vontade. Se eu não me engano a AMBEV deve ser o maior anunciante do país. Eles colocam Beto Barbosa dançando Adocica, a Devassa colocou a “nada devassa” Sandy em seus comerciais, e por aí vai. E outros vários exemplos que martelam nossas cabeças todos os dias: deu duro, tome um Dreher, ou o vinho Salton todas as noites na taça no Ronnie Von, e até mesmo a verdinha Heineken na Champions League.

McDonald’s pode se comunicar à vontade. E McDonald’s gera obesidade, e mata. Coca-Cola pode se comunicar à vontade, e gera obesidade também, e mata. Cartão de Crédito chega a cobrar 14% de juros ao mês, e pode comunicar à vontade. E por que apenas os coitados dos cigarros são massacrados por legislações? Coitados dos criativos das agências de propaganda que devem se virar nos trinta para ‘driblar’ a legislação e criar formas de conectar ao seu público-alvo.

Indústria automobilística pode fazer propaganda à vontade. E acidentes de carro matam mais que cigarro no Brasil. Esse critério é, no mínimo, esquisito. E apesar dessa castração publicitária, a marca Marlboro por exemplo figura na 8ª posição no último ranking de valor de marca da Millward Brown. Imagina se eles pudessem fazer propaganda? Seriam líderes?

Recentemente eu estava em Nova York e lá eles vendem diversos blends de Marlboro na farmácia. Sim, nas farmácias. E cada carteira custa cerca de US$ 16 dólares. E por que é tão caro assim? Imposto? Não! Para inibir o fumo? Também não. Esse valor elevado se deve às indenizações milionárias que a indústria tabagista tem que pagar às famílias que perdem parentes por causa de doenças do fumo. Lá as famílias processam a Philip Morris por exemplo, e geralmente ganha em poucos anos. A indústria repassa essa conta altíssima para o consumidor final.

Não estou fazendo apologia ao fumo. Fumar é cafona hoje em dia. E dentre as centenas de substâncias que contém o cigarro, até pólvora você encontra. Eu apenas acho que claramente a indústria tabagista é um belo de um boi de piranha. E eu não sou fumante, mas sou saudosista e gostava de propaganda de cigarro. Eu tenho um livro do Zaragoza da DPZ onde ele mostra campanha antigas da marca CHARM, coisa linda que eram aqueles posicionamentos. E eu adorava o Hollywood Rock, o Free Jazz Festival e assistia o Cine Carlton. Que saudades!

Um comentário:

  1. Este blog é uma representação exata de competências. Eu gosto da sua recomendação. Um grande conceito que reflete os pensamentos do escritor. Consultoria RH

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